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O nome Tenório é recente, mas de acordo com estudos de algumas cartas de doação de terras chamadas “sesmarias”, há relatos que nas terras que se situa os municípios de Tenório, parte de Equador, Parelhas e Juazeirinho foi doado a Antônio Pinto e a Felipe Dias, como relata Tavares apud. Reatveld (2009, p. 212).

Antonio Pinto, estando possuindo uns sítios no Sertão do Cariri de fora, chamado Barra e Mucuitú, situação que não chegava para sustentação do seu gado vaccun e cavallar, que nelles admittia; porque tinha descobertonas extremas dos mesmos sítios três léguas de terras devolutas, e que pegava o comprimento dellas da serra da Borburema, contando rumo direito ao nascente pelas extremas dos referidos sítios e que confrontava na largura pela parte norte com as terras dos Tanques de Filippe Dias e pela sul com as testadas dos mesmos sítios Barra e Mucuitú as quais terras queria haver por data três léguas de comprimento e uma de largo ou uma de comprido e três de largo como melhor lhe conviesse. Fez-se a concessão, no governo de Jeronymo José de Mello e Castro.

Nesse trecho, observa-se que em nenhum momento o nome de Tenório é mencionado, mas, fala-se no Sítio Tanque, município de Equador no qual faz divisa, se alongando até o Sítio Mucuitú cortando todas as terras de Tenório e parte de Juazeirinho. Essas terras, aos poucos, foram sendo ocupadas, paulatinamente, no meado do século XIX com a pecuária e início do século XX com a agricultura de subsistência e o algodão.

Com relação à origem da palavra Tenório é muito controvertido. De acordo com alguns antigos moradores do lugar como o senhor João Batista Neto e Dona Alzira Gomes dos Santos, Tenório era um indígena que veio do Rio Grande do Norte e tinha o dom de encontrar locais que continham água no solo; locais esses “chamado de cacimbas2”, e também podia curar as pessoas através de orações, se fixando às margens do riacho Tenório onde faleceu.

Outros, como os já falecidos Jonas Batista de Azevedo e Fenelon Batista de Morais diziam que Tenório não era indígena, pois possuía olhos azuis e tinha a pele clara, mas de toda essa história, o certo é que os primeiros habitantes do lugar teriam vindo do Estado vizinho do Rio Grande do Norte e aqui se fixado.

No início da colonização, Tenório sofreu influência de duas rotas de penetração em seu território. De acordo com relatos de dois antigos moradores do lugar, Fenelon Batista de Morais e Jonas Batista de Azevedo in memória, uma dessas rotas de ocupação veio do brejo ocupando os sítios Serrinha, Serra da Gruta, Tenório de Baixo e Cachoeirinha e a outra do Rio Grande do Norte, ocupando os sítios Riachão, Chã, Lagoa de Tenório e Salgadinho. Nesse contexto, pode-se fazer um diagnóstico da origem do homem tenorense.

Com base nesses relatos, pode-se concluir que as famílias que vieram do brejo são muito representativas dentro da sociedade local, dentre essas, destaca-se: família Amaro, maior família de Tenório, Alves, Fontes, Leite, Morais, Rangel e Souza. Famílias do Rio Grande do Norte: Azevedo, Batista, Dantas, Diniz, Guedes e Patrício. Todas essas famílias que vieram do Estado do Rio Grande do Norte são descendentes das primeiras famílias do Seridó. Em muitas cidades dessa microrregião se encontram pessoas com muitos desses sobrenomes.

Com relação à família “Batista”, o historiador Olavo de Medeiros Filho (1981

p.319 e 320), relata que a família é uma das mais recentes no Seridó, mesmo assim é a das que maior descendência teve e se espalhou por toda a Microrregião. No município de Tenório – PB, o patriarca João Batista de Azevedo, era descendente das primeiras famílias do Seridó e pai do fundador da cidade, o senhor Cícero Batista de Azevedo um dos pioneiros na colonização.

Desde então, essas famílias foram ocupando o espaço tenorense com as atividades econômicas como a pecuária e a agricultura de subsistência semelhante o que ocorria em outros cantos do País.

Em 1930, ocorreu um fator importante nas terras tenorenses: três irmãos da família Batista, Cícero Batista de Azevedo, Manoel Batista de Azevedo, Joel Batista de Azevedo, pequenos e médios produtores rurais, compram as terras do senhor Severino Galdino de Araújo que era genro de Manoel Gregório Dantas que possuía muitas terras, principalmente no Município de Parelhas-RN. Após esses acontecimentos, começaram a chegar ao lugar e vem se juntar aos pioneiros, o senhor Severino Ferreira Guedes e Justino Patrício morador das terras do senhor Severino Galdino.

No decorrer dos anos trinta do século XX, ainda havia muita mata nativa neste município; a pecuária não exigia grandes desmatamentos e, com o círculo econômico da agricultura, começam o desbravamento da mata virgem do lugar que passa a ser ocupada pelas plantações de subsistência como feijão, milho, mandioca, além do sisal e o algodão; produtos muito procurados na época.

Logo em seguida, tem-se início a construção das primeiras casas de alvenaria no lugar, começando assim o desenvolvimento do seu plano urbanístico com o traçado começando ao lado da casa do senhor Cícero de Azevedo e de outros moradores.

No dia 14 de agosto de 1952 é realizada a primeira feira livre e uma missa no qual essa data é registrada também como a fundação oficial da cidade. Logo após, o distrito é criado com a denominação de Tenório, através da lei estadual nº. 212, de 11- 05-1959, subordinado ao município de Juazeirinho. Pela divisão territorial datada de 1- 07-1960, o distrito de Tenório, figurava como distrito do município de Juazeirinho. Permanecendo assim até 17-01-1991 (IBGE, 2007).

Em 29-04-1994 é elevado à categoria de município com a denominação Tenório, pela lei estadual nº. 5.889, desmembrado-se de Juazeirinho e sua sede fica situada no antigo distrito de Tenório instalado-se em 01-01-1997.

Seu primeiro prefeito constitucional foi o Senhor Januário Cordeiro de Azevedo que também foi prefeito por duas vezes em Juazeirinho. Era casado com dona Alaíde Batista Cordeiro, filha do senhor Cícero Batista, um dos fundadores da cidade. Governou a Prefeitura de Tenório por dois mandatos consecutivos e fez muitas obras, dentre as quais, cita-se a construção de calçamentos, quadra poliesportiva, conjuntos habitacionais e a Câmara de Vereadores que recebeu o nome de seu pai casa Ladislau Cordeiro de Lima e etc.

No ano de 2005, é eleito para conduzir o município de Tenório, o agricultor e comerciante Denilton Guedes Alves; uma das suas plataformas de campanha estava centrada no pagamento em dia para todos os funcionários e na participação democrática na gestão pública. Seguindo essa mesma doutrina, Denilton termina seu primeiro mandato conseguindo reerguer as finanças municipais e pagar o funcionalismo rigorosamente em dia.

Depois, consegue se reeleger mais uma vez, graças a um acordo que reuniu uma colisão de partidos políticos garantindo assim sua reeleição contra seu Januário que foi impedido de concorrer às eleições pela justiça eleitoral, concorrendo em seu lugar Erinilson Batista, candidato a vice-prefeito na chapa de Januário e, logo após, o ex- prefeito teve complicações de saúde e em janeiro do ano de 2009, Januário Cordeiro faleceu aos 74 anos de idade na cidade de Campina Grande - PB.